sexta-feira, 13 de junho de 2008

Anibal “Elvis”, o barbeiro


Anibal da Costa Santos Simão nasceu a 22 de Março de 1950, no lugar da Espinheira, freguesia e concelho de Oliveira de Azeméis (distrito de Aveiro/Norte de Portugal).

As suas origens são muito humildes sendo um dos seis irmãos de uma família que passou por imensas dificuldades. Começou a trabalhar aos doze anos como operário da indústria de moldes, emprego que manteve durante meia década.

Em 1968 iniciou a aprendizagem como barbeiro no salão Martel, à época uma barbearia que revolucionou essa actividade na então vila de Oliveira de Azeméis e que foi a escola de grande parte dos actuais profissionais da “arte”.

O serviço militar impôs-lhe apenas meio ano de recruta e a incorporação para a Guiné levou-o a Mampatá-Aldeia Formosa (1972-1974) com a especialidade de condutor. Curiosamente desde o período de tropa nunca mais conduziu nem sequer pediu a passagem da carta de condução civil como tinha direito.

A 25 de Agosto regressa a Portugal e após muito pouco tempo vai trabalhar para uma pequena barbearia localizada nas proximidades do Parque de La Salette. A sua personalidade determinada fez com que oferecesse 15 contos pelo trespasse do estabelecimento e concretiza o sonho de ter o seu próprio negócio.

Casa e é pai de duas filhas, a Mónica e a Lisa. Actualmente divorciado o sócio número 261 da União Desportiva Oliveirense (e também da Escola-Livre, como gosta de frisar) é um fervoroso adepto deste clube quer no futebol quer no hóquei em patins.

Com uma personalidade forte não hesita em tomar partido por causas tão importantes como a solidariedade para com os homens, mulheres e crianças que no tão tecnologicamente e globalizado mundo em que vivemos morrem à fome.

Mesmo assim a sua história seria tão igual a milhares de portugueses, não fora o caso de ser um dos mais incondicionais fãs de Elvis Presley, um dos ícones do “rock”.

Essa paixão que tem desde quase criança nasceu porque para além de gostar das canções de “Elvis” ter admirado a nobreza de carácter do “rei” e a sua rebeldia face a uma sociedade injusta.

Hoje, na sua cidade natal, Aníbal é mais “Elvis” do que outras coisas, mercê da sua popularidade granjeada por ter sido quem nos últimos tempos mais divulgou pelo país e estrangeiro o nome da sua terra natal. E por isso não admira que a sua barbearia seja procurada por cada vez mais clientes e até curiosos ansiosos por aí verem os mais de mil objectos que coleccionou ao longo dos tempos, todos relacionados com o autor de “Love me tender”.

Com a dedicação de sempre à sua profissão, o “Elvis”, barbeiro, continua a amealhar dinheiro para um dia se fazer novamente à estrada, nos Estados Unidos da América, até chegar a Memphis, voltando a atravessar o portão da mansão onde viveu o mais admirado cantor do século passado e aí rezar pela sua alma.

Diz que o fará com a mesma devoção com que todos os dias pede uma bênção para si e para a sua família. A Nossa Senhora de Fátima. Como Elvis, pois claro.anibal.elvis@gmail.com

Barbearia é «santuário» de Elvis Presley


Aníbal Simão, barbeiro em Oliveira de Azeméis, fez-se à estrada em 2002, atravessando uma grande parte da América, numa viagem de autocarro que demorou 37 horas.
Os olhos embargaram-se quando finalmente chegou a Graceland, a casa onde Elvis Presley viveu.
«Ir a Memphis visitar a mansão do “Rei do Rock” era um sonho que julgava impossível concretizar», contou Aníbal Simão, 58 anos.
A história deste fã de Elvis Presley começou aos 12 anos quando comprou um livro sobre a vida do fenómeno de Memphis.
«Se a memória não me escapa custou à volta de 15 escudos e comprei-o numa livraria no Porto», recordou.
Desde esse dia a paixão foi aumentando. Sempre que podia arranjava tempo para «coscuvilhar» lojas, livrarias ou casas de discos à procura «fosse do que fosse» sobre Elvis Presley.
Livros, quadros, autobiografias, vídeos, cd's, discos de vinil, meias, gravatas, camisas, camisolas, roupa interior, sapatos, porta-chaves, louça, recortes de jornais e revistas, uma infindável colecção sobre a vida e a obra do cantor.
Aos poucos construiu um autêntico museu, primeiro em casa e depois no seu local de trabalho, a barbearia.
Elvis Presley só lhe deu alegrias. A única vez que ficou «desolado e triste» foi quando soube da sua morte em 1977.
«Tomei conhecimento da notícia pela rádio. Tinha vindo da Guiné, onde prestei serviço militar. Chorei todo o dia», lembrou.
Aníbal ou «Elvis» - como também é conhecido - resolveu há dois meses dividir o salão onde trabalha e aí passar a dormir.
«Não passo um dia sem ouvir Elvis Presley e faço-o de manhã à noite», disse.
Em nome da veneração que tem ao «Rei» baptizou a filha mais nova com o nome de Lisa, numa homenagem à filha do mítico cantor.
Mais recentemente envolveu a neta ao inscrevê-la no Clube de Fãs - Elvis «Burning Star».
«A Sofia é sócia desde 08 de Janeiro de 2007, data de nascimento do cantor, e é uma das mais jovens fãs em todo o mundo», acrescentou.
Todos os dias Aníbal Simão reza. Nas suas preces pede uma bênção divina para a família e naturalmente para o autor de êxitos como «Love me Tender».